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A Matéria da Presença - 9 Rondas
2026

“Em cena, o que compõe a qualidade da presença?

O que faz com que um acontecimento seja excecional ou corriqueiro, mediante as variáveis implícitas na atuação de quem o incorpora?

A concentração e o investimento na qualidade da presença, a que por vezes chamamos “entrega” dos protagonistas, acontece no aqui e agora, num espaço e tempo particular, irrepetíveis. A importância do momento confere à atuação cénica uma saturação temporal que faz com que a consciência reflexiva ou o pensamento intencional sejam excedidos e a dedicação do actor [no sentido de quem actua] potencie a atenção e reação do espetador, num fenómeno de gestão da empatia.

Nesta saturação, vive-se por vezes um desdobramento; por um lado atua-se e por outro observa-se, e esta dualidade conduz por vezes àquilo que pode ser descrito como um estado alterado de consciência, uma espécie de transe, ou uma dimensão existencial distinta. Esta vivência é de tal maneira peculiar que é frequentemente conotada com algo indizível, misterioso, inominável ou até esotérico.

Este ciclo propõe testar empiricamente este mistério.”

Mariana Brandão

Em “9 Rondas” Isabel Cordovil, uma artista atualmente curiosa sobre o poder implícito do movimento, conta com a experiência, sensibilidade e sabedoria de Isabel Ruth, Bibi Dória e Célio Dias, convocando-os para um ringue em que, um de cada vez e sem assistirem ao desempenho dos outros, repetidamente executarão um guião predefinido de ações à procura dessa presença excecional, comprovando assim que mais do que intérpretes são autores.

Quinta-feira, 23 de julho, das 20h30 às 23h15

Isabel Ruth (Tomar, 1940) é uma artista com um percurso singular na dança, teatro, cinema, poesia, música e desenho. Estudou na Royal Ballet School (Londres) e trabalhou com realizadores como Paulo Rocha, Manoel de Oliveira e Pier Paolo Pasolini. Em 2018 recebeu a Ordem do Infante D. Henrique e, em 2023, a Medalha de Mérito Cultural.

Bibi Dória (Campo Grande, Brasil, 1995) é uma artista interdisciplinar que cruza dança, performance e cinema. Vive em Lisboa desde 2018 e desenvolve uma prática centrada na memória, arquivo, ficção e imaginação, conciliando projetos autorais com colaborações artísticas internacionais.

Célio Dias (Almada, 1993) foi atleta olímpico de judo nos Jogos do Rio 2016 e representou Portugal em Campeonatos do Mundo, Campeonatos da Europa e no circuito internacional da Federação Internacional de Judo. Entre os seus principais resultados destacam-se a medalha de ouro no Grand Prix de Budapeste (2015) e várias medalhas em Grand Slams e Grand Prix. Atualmente dedica-se também à sensibilização para a saúde mental, partilhando publicamente a sua experiência e contribuindo para o combate ao estigma associado à doença mental.